Proposta de integração institucional · Hospital Pedro Hispano — ULS Matosinhos

Medir os resultados da cirurgia do joelho, como ferramenta do hospital

O UBNIC é um sistema de informação clínica para registo estruturado, seguimento longitudinal e medição de resultados reportados pelos doentes (PROMs), desenvolvido pela Equipa de Joelho do Serviço de Ortopedia. Foi concebido de raiz como ferramenta institucional: propomos a sua integração na ULS Matosinhos, começando por uma fase-piloto de avaliação na consulta de joelho.

* Na integração plena, o tratamento assenta na prestação de cuidados (Art. 9.º-2-h RGPD), como os restantes sistemas do hospital. Regime da fase-piloto em clarificação com a equipa de proteção de dados.

01 · Porquê

Melhores cuidados, trabalho valorizado, instituição reconhecida

Hoje, os resultados funcionais dos doentes operados ao joelho não são medidos de forma sistemática — nem no HPH, nem na esmagadora maioria dos hospitais portugueses. O UBNIC fecha esse ciclo: regista de forma estruturada, segue o doente ao longo do tempo e devolve evidência — ao doente, à equipa e à instituição.

Para os doentes

  • PROMs sistemáticos (ex.: Oxford Knee Score) antes e depois da cirurgia — o resultado é medido, não presumido
  • Questionário recebido por SMS/email do hospital, ligado à consulta agendada — sem esforço adicional
  • Deteção precoce de evolução desfavorável entre consultas
  • Todos os doentes da consulta beneficiam — sem viés de seleção

Para os profissionais

  • Registo estruturado e rápido na consulta — menos texto livre repetido, mais dados comparáveis
  • Relatórios gerados automaticamente a partir do registo, colados no SClínico
  • Evidência objetiva do trabalho da equipa: volume, técnicas, resultados
  • Melhoria contínua da prática assente em dados próprios

Para a instituição

  • Resultados mensuráveis da cirurgia do joelho no HPH — benchmarking interno e externo
  • Base para investigação clínica e publicações com afiliação ULS Matosinhos
  • Posição pioneira: medição de outcomes por rotina é o padrão internacional emergente (value-based healthcare)
  • Modelo replicável a outras equipas e serviços
Detalhe — o que é (e não é) o UBNIC
  • É um sistema de informação clínica (CIS) para gestão longitudinal, registo estruturado e análise de PROMs em doentes de cirurgia do joelho.
  • Não é um dispositivo médico (SaMD): não faz diagnóstico, não recomenda tratamento, não calcula risco clínico. A decisão clínica permanece exclusivamente no médico.
  • Não substitui o SClínico: o registo clínico institucional mantém-se como fonte primária; cada registo relevante no UBNIC gera um relatório em texto colado no SClínico.
  • Volume previsto: ~50–200 doentes no 1.º ano da Equipa de Joelho; ~1 000 doentes num horizonte de 3 anos.

02 · Modelo de integração

Uma ferramenta do hospital, com os dados nas mãos do hospital

O UBNIC funciona no mesmo enquadramento dos restantes sistemas de informação do hospital: a ULS Matosinhos é a responsável pelo tratamento dos dados, define as políticas e o alojamento; a CPS Concept LDA fornece e mantém o software, como subcontratante. O enquadramento foi alinhado com a equipa de proteção de dados do HPH.

Trave-mestraComo funciona
Responsável pelo tratamentoULS Matosinhos — define políticas, alojamento e acessos
Papel da CPS ConceptFornecedor de software e subcontratante, com contrato e DPA (Art. 28.º RGPD)
Base legalPrestação de cuidados de saúde (Art. 9.º-2-h RGPD) — a mesma base do SClínico
Consentimento por doenteNão necessário na integração plena* — sem papel, sem atrito, sem viés de seleção
Comunicações com o doenteCanais institucionais do hospital (SMS/email), ligadas à consulta agendada
Registo clínico primárioSClínico, sempre — cada registo relevante no UBNIC gera cópia em texto para o SClínico
AlojamentoDefinido pelo hospital, em avaliação com a DSI — datacenter da ULSM ou serviço gerido
AbrangênciaTodos os doentes da consulta — dados de outcomes sem viés de seleção
Investigação e publicaçõesEstudos pontuais sobre os dados, cada um com parecer da Comissão de Ética — circuito normal
CrescimentoPreparada para alargar a outras especialidades cirúrgicas e a outros hospitais

* Regime de consentimento durante a fase-piloto em clarificação com a equipa de proteção de dados.

ULS Matosinhos
responsável pelo tratamento · define alojamento e políticas
← contrato + DPA →
CPS Concept LDA
fornecedor de software · manutenção e evolução · subcontratante Art. 28.º
Equipa de Joelho
utilizadores clínicos · registo e seguimento

Os dados são do hospital e dos seus doentes. A CPS Concept fornece e mantém o software, sem autonomia sobre os dados.

03 · Fase-piloto

12–24 meses na Equipa de Joelho, com avaliação objetiva

Propomos começar pequeno e medir: um piloto circunscrito à consulta de joelho do Serviço de Ortopedia, formalizado por protocolo de colaboração entre a ULS Matosinhos e a CPS Concept LDA, com critérios de avaliação definidos à partida e relatório final ao Conselho de Administração.

Âmbito e condições propostas

  • Consulta de joelho, Equipa de Joelho — ~50–200 doentes
  • Duração: 12–24 meses, com avaliação intercalar
  • Sem custos de licenciamento durante o piloto
  • Protocolo com anexo de proteção de dados (papéis, medidas, auditoria)
  • Reversibilidade total: exportação completa dos dados em formato aberto no fim do piloto, qualquer que seja a decisão

Critérios de sucesso (a fixar em conjunto)

  • Taxa de resposta aos PROMs (ex.: alvo > 60–70%)
  • Completude do registo estruturado por consulta
  • Tempo de registo por consulta (não pode aumentar a carga)
  • Satisfação da equipa clínica e dos doentes
  • Zero incidentes de segurança reportáveis
Consentimento durante o piloto: sendo uma ferramenta institucional em avaliação, o tratamento enquadra-se na prestação de cuidados (Art. 9.º-2-h). Está em clarificação com a equipa de proteção de dados se a fase-piloto exige consentimento adicional dos utentes e, em caso afirmativo, em que formato (idealmente digital, registado na própria aplicação — sem papel).

04 · Plataforma

No mesmo registo, o percurso cirúrgico completo

Para medir PROMs, a aplicação acompanha necessariamente as consultas, a inscrição cirúrgica (LIC) e as cirurgias. Com esses dados no sistema, o mesmo registo sustenta — sem recolha adicional — um conjunto de capacidades de gestão do percurso cirúrgico:

Protocolos institucionais aplicados na prática

Os dados a colher em consulta, os exames a pedir na inscrição cirúrgica e o percurso perioperatório completo — com todos os intervenientes — deixam de ser documentos e passam a passos guiados no registo, iguais para toda a equipa.

Gestão da lista de inscritos com mais indicadores

Estado da preparação pré-operatória de cada doente (exames, otimização, elegibilidade ambulatória), tempos de espera e prioridades — para além do que a LIC tradicional mostra.

Pedidos de material

Associados à cirurgia agendada e à técnica prevista (implantes standard vs. complexos, definidos em protocolo), com rastreabilidade do pedido à utilização.

Relatórios de atividade parametrizáveis

Volume, técnicas, demoras, ambulatório vs. internamento, resultados — atualizados automaticamente a partir do registo, configuráveis pelo serviço e pela instituição.

Exemplo — protocolo PTJ (prótese total do joelho), já desenhado pela equipa

O protocolo perioperatório da PTJ, elaborado pela Equipa de Joelho com base em evidência (ERAS 2020, CHEST 2022, ESAIC 2022, DGS 026/2012), ilustra o que a plataforma operacionaliza:

  • Dados cirúrgicos e material: implantes standard e de constrição (com critérios de escolha), requisitos pré-operatórios (ex.: HbA1c, função renal) verificados na inscrição.
  • Consentimento informado estruturado: diagnóstico, procedimento, benefícios, riscos quantificados e alternativas, gerado a partir do protocolo.
  • Elegibilidade ambulatória: critérios sociais e clínicos avaliados de forma sistemática na consulta de decisão.
  • Percurso em 8 fases, ~50 passos: do pré-operatório à alta e domicílio, com as ações de cada interveniente — cirurgião, anestesiologia, enfermagem, fisioterapia — e a variante de ambulatório.
  • Pós-operatório: sinais de alarme, medidas graduadas e programa de fisioterapia, que alimentam a comunicação com o doente.

A plataforma é agnóstica à especialidade: os protocolos são configuráveis, pelo que o alargamento a outras equipas cirúrgicas não exige desenvolvimento novo.

05 · Arquitetura e integrações

Preparado para correr onde o hospital decidir

A aplicação é contentorizada e agnóstica à infraestrutura: corre integralmente em Docker numa única máquina virtual. A decisão de alojamento — datacenter da ULSM (on-prem) ou serviço gerido pela CPS Concept com DPA — fica em aberto para avaliação conjunta com a DSI, sem alterar a aplicação.

Opção A — On-prem (datacenter ULSM)

  • Dados fisicamente dentro do hospital
  • VM única: 4 vCPU, 8–16 GB RAM, ~100 GB — requisitos modestos
  • Rede interna; sem exposição à internet exceto o acesso dos doentes aos PROMs
  • CPS Concept faz manutenção aplicacional mediante acesso acordado com a DSI

Opção B — Serviço gerido (CPS Concept)

  • Alojamento em Portugal, operado como subcontratante com DPA (Art. 28.º)
  • Zero esforço de infraestrutura para a DSI
  • Encriptação campo a campo — dados ilegíveis mesmo com acesso à máquina
  • Auditoria e backups já implementados e testados
Detalhe técnico — pilha aplicacional
  • Serviços: aplicação web + API, PostgreSQL 16, Redis (filas de tarefas), MinIO (documentos/imagens), geração de documentos — tudo em contentores numa rede interna Docker, sem portas publicadas além do proxy.
  • Autenticação de profissionais: contas nominais com hashing argon2id, sessões JWT de 15 minutos, perfis de acesso (RBAC) por função clínica e filtragem por unidade na camada de dados. Integração futura com diretório institucional (LDAP/AD) é possível.
  • Acesso dos doentes: ligações seguras de uso único (PROMs e portal), sem palavra-passe.
  • Auditoria: registo imutável de todos os acessos e alterações (quem, o quê, quando, de onde, antes/depois), retenção 10 anos.
  • Encriptação: AES-256-GCM campo a campo nos dados pessoais e de saúde; pesquisa por índices cegos (HMAC-SHA256); chaves fora da base de dados. TLS 1.3 em trânsito.
  • Cópias de segurança: diárias, com cópia offline cifrada e teste de restauro mensal obrigatório. RPO 24 h, RTO 4 h.
Detalhe técnico — integrações a discutir com a DSI

Nenhuma integração é bloqueante para o arranque do piloto — há modo degradado manual para todas. Por ordem de valor:

  • 1 · Envio de PROMs ligado à agenda: o cenário ideal é o doente receber o questionário pelos canais do hospital (SMS/email institucionais), momentos antes ou dias antes da consulta agendada. Requer acesso à agenda (SONHO/SClínico) — por webservice, export periódico, ou, no arranque, marcação manual na aplicação.
  • 2 · Canais de comunicação institucionais: envio de SMS/email através do gateway do hospital, em alternativa a fornecedores externos.
  • 3 · Cópia para o SClínico: cada registo gera um relatório em texto que o médico cola no SClínico — sem integração técnica necessária. Integração futura (ex.: via SPMS) pode automatizar este passo.
  • 4 · Autenticação institucional: integração com o diretório do hospital (LDAP/AD/SSO) para contas de profissionais, em fase posterior.

06 · Proteção de dados

Desenhado com a proteção de dados primeiro — e revisto com ela

Antes de existir qualquer dado real, o projeto produziu a avaliação de impacto (AIPD/DPIA), o registo de atividades (ROPA), políticas de retenção, procedimentos de violação de dados e de direitos dos titulares — tudo com revisão jurídica externa. O enquadramento foi discutido com a equipa de proteção de dados do HPH e a documentação será formalizada com a ULSM como responsável pelo tratamento.

Segurança técnica

Encriptação AES-256-GCM campo a campo, TLS 1.3, acessos por perfil e por unidade, auditoria imutável de 10 anos, backups testados mensalmente.

Governança

AIPD/DPIA e ROPA elaboradas e validadas em revisão jurídica externa; procedimentos de incidentes (notificação CNPD 72 h) e de direitos dos titulares (30 dias) formalizados; formação RGPD obrigatória da equipa antes do acesso.

Nada existe só no UBNIC

O SClínico mantém-se como registo primário, com cópia em texto de cada registo relevante. Exportação completa em formato aberto garantida — o hospital nunca fica refém da aplicação.

07 · Transparência

Declaração de interesses e processo de decisão

O proponente, Dr. João Pedro Campos, é simultaneamente médico da Equipa de Joelho do HPH e sócio-gerente da CPS Concept LDA, que desenvolve o UBNIC. Este facto é declarado desde o início e determina o desenho do processo:

  • Declaração de interesses formal apresentada ao Conselho de Administração juntamente com a proposta
  • A avaliação e a decisão de adoção são integralmente do lado do hospital (CA, DSI, equipa de proteção de dados), sem participação do proponente nessa qualidade
  • Piloto sem custos, formalizado por protocolo de colaboração com critérios de avaliação objetivos
  • Eventual aquisição posterior segue o procedimento de contratação pública aplicável, com total transparência

08 · Percurso

Onde estamos e o que se segue

Reunião com a equipa de proteção de dados do HPH CONCLUÍDA

O modelo institucional aqui apresentado — ULSM como responsável pelo tratamento, base legal na prestação de cuidados — foi alinhado com as orientações da equipa de proteção de dados.

Reunião com a DSI PRÓXIMO PASSO

Avaliar as opções de alojamento (on-prem vs. serviço gerido) e as integrações — agenda, canais de comunicação institucionais, autenticação.

Apresentação ao Conselho de Administração

Proposta de piloto com declaração de interesses, parecer da equipa de proteção de dados e enquadramento da DSI.

Protocolo de colaboração e arranque do piloto

Protocolo ULSM ↔ CPS Concept com anexo de proteção de dados; atualização da AIPD/ROPA com a ULSM como responsável; formação da equipa; arranque na consulta de joelho.

Avaliação e decisão

Relatório final ao CA com os critérios medidos. Decisão de integração plena — e, a prazo, alargamento a outras equipas, serviços e hospitais, com interoperabilidade entre instituições.

09 · Equipa

Equipa de Joelho — Serviço de Ortopedia e Traumatologia, HPH

Dr. João Pedro Campos
Assistente Hospitalar · Proponente
OM 60079
CPS Concept LDA — declaração de interesses
Dr. José Manuel Araújo
Diretor de Serviço · Apoia o projeto
OM 33339
Dr. Carlos Arce
Assistente Hospitalar
OM 37163
Dr. Pedro Mendes Santos
Interno de Formação Específica
OM 68439
Dr. José Miguel Costa
Interno de Formação Específica
OM 71875
CPS Concept LDA
Fornecedor de software · Subcontratante
NIF 516286153
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