Proposta de integração institucional · Hospital Pedro Hispano — ULS Matosinhos
O UBNIC é um sistema de informação clínica para registo estruturado, seguimento longitudinal e medição de resultados reportados pelos utentes (PROMs), desenvolvido pela CPS Concept LDA. A Equipa de Joelho do Serviço de Ortopedia propõe a sua adoção institucional — para aplicar os seus protocolos, avaliar os seus procedimentos e produzir investigação clínica — começando por uma fase-piloto na própria equipa.
01 · Porquê
Hoje, os resultados funcionais dos utentes operados ao joelho não são medidos de forma sistemática — nem no HPH, nem na maioria dos hospitais portugueses. O UBNIC fecha esse ciclo: regista de forma estruturada, segue o utente ao longo do tempo e devolve evidência — ao utente, à equipa e à instituição.
01 · Porquê agora
A medição sistemática de resultados é a direção explícita da regulação europeia de dados de saúde, dos indicadores internacionais e da evolução dos modelos de financiamento. Sete razões diretas:
Um utente operado hoje sem PROM pré-operatório nunca mais terá esse valor de partida — dados retrospetivos não reconstroem o que não foi recolhido. Cada ano de espera é uma coorte anual completa de utentes perdida para a avaliação de resultados e para a ciência.
A contratualização em saúde evolui para modelos que pagam resultados, não apenas atividade (value-based healthcare). Uma instituição que mede resultados por rotina chega a essa negociação com dados próprios — não com estimativas.
A participação no RPA (SPOT) exige hoje submissão dedicada por cirurgia. Com implantes e materiais registados de forma estruturada em cada intervenção, o contributo para o registo nacional passa a ser um subproduto do registo clínico — sem duplicação de registo.
Um serviço que mede resultados, publica e oferece coortes completas para teses e trabalhos finais torna-se mais atrativo na escolha de idoneidade formativa — e dá aos internos atuais um terreno real de investigação clínica.
Materiais e implantes rastreados por cirurgia tornam visível o custo real de cada procedimento — informação hoje dispersa entre concursos, consumos de bloco e registos manuais — e sustentam decisões de compras e a negociação com fornecedores.
Sem ferramenta institucional, a necessidade de medir não desaparece — migra para folhas de Excel e formulários pessoais, fora do controlo da DTI e sem garantias de conformidade com o RGPD. O UBNIC oferece o canal institucional: auditado, encriptado e sob controlo do hospital.
A cirurgia protésica em ambulatório é uma tendência consolidada internacionalmente. Critérios de elegibilidade registados de forma sistemática e PROMs seriados documentam, utente a utente, a segurança do programa de ambulatório.
01 · Porquê agora — em detalhe
A investigação que passa a ser possível e o enquadramento regulatório europeu:
A recolha estruturada e completa — PROMs seriados em todos os utentes, registos por protocolo, implantes e materiais rastreados — cria coortes prospetivas sem dados em falta — ao contrário das séries retrospetivas habituais, limitadas por registos incompletos e sem valores de partida.
O registo estruturado garante que, quando a pergunta científica surgir, os dados existem, completos e desde o início.
Não existe, à data, legislação europeia que obrigue ao registo de PROMs. O quadro relevante é o Regulamento (UE) 2025/327 — o Espaço Europeu de Dados de Saúde (EHDS), em vigor desde março de 2025 — obriga, de forma faseada até 2029–2031, a que os dados de saúde sejam estruturados, interoperáveis e disponibilizáveis, incluindo para uso secundário (investigação e políticas de saúde) os dados de registos médicos e de questionários de saúde que as instituições detenham.
Em Portugal, recolher PROMs de forma estruturada não é, à data, uma obrigação legal — mas já o é noutros sistemas europeus para esta cirurgia, e o quadro europeu converge na mesma direção. Ao começar agora, a ULSM antecipa-a: os dados ficam desde já no formato que passará a ser exigido entre 2029 e 2031.
02 · Modelo de integração
O UBNIC funciona no mesmo enquadramento dos restantes sistemas de informação do hospital: a ULS Matosinhos é a responsável pelo tratamento dos dados, define as políticas e o alojamento; a CPS Concept LDA fornece e mantém o software, como subcontratante.
| Trave-mestra | Como funciona |
|---|---|
| Responsável pelo tratamento | ULS Matosinhos — define políticas, alojamento e acessos |
| Papel da CPS Concept | Fornecedor de software e subcontratante, com contrato e DPA (Art. 28.º RGPD) |
| Base legal | Prestação de cuidados de saúde (Art. 9.º/2, al. h) RGPD) — a mesma base do SClínico |
| Consentimento por utente | Não necessário na integração plena* — sem papel nem atrito |
| Comunicações com o utente | Canais institucionais do hospital (SMS/email), ligadas à consulta agendada |
| Registo clínico primário | SClínico, sempre — cada registo relevante no UBNIC gera cópia em texto para o SClínico |
| Alojamento | Definido pelo hospital, em avaliação com a DTI — datacenter da ULSM ou serviço gerido |
| Abrangência | Todos os utentes da consulta — dados de outcomes sem viés de seleção |
| Investigação e publicações | Estudos pontuais sobre os dados, cada um com parecer da Comissão de Ética — circuito normal |
| Crescimento | Preparada para alargar a outras especialidades cirúrgicas e a outros hospitais |
* Na fase-piloto aplica-se o regime de consentimento descrito na secção 02 — Fase-piloto.
Os dados são do hospital e dos seus utentes. A CPS Concept fornece e mantém o software, sem autonomia sobre os dados.
02 · Fase-piloto
Um piloto circunscrito aos utentes da Equipa de Joelho do Serviço de Ortopedia, formalizado por protocolo de colaboração entre a ULS Matosinhos e a CPS Concept LDA, com critérios de avaliação definidos à partida e relatório final ao Conselho de Administração.
03 · Plataforma
Para medir PROMs, a aplicação acompanha necessariamente as consultas, a inscrição cirúrgica (LIC) e as cirurgias. Com esses dados no sistema, o mesmo registo sustenta — sem recolha adicional — um conjunto de capacidades de gestão do percurso cirúrgico. Estas capacidades estão construídas e podem ser demonstradas na aplicação atual — não dependem de desenvolvimento futuro.
Cada protocolo segue um circuito de aprovação — rascunho, revisão, aprovado — em que a versão aprovada é imutável e cada transição fica registada em trilho de auditoria. O protocolo perioperatório da PTJ do serviço serviu de modelo de desenho: 30 fases do percurso, medicação, elegibilidade ambulatória e seguimento.
Cada inscrição regista a prioridade clínica e a duração esperada da cirurgia — o que permite um agendamento informado (encaixe por duração sem perder de vista a prioridade), a monitorização dos tempos máximos de resposta garantidos (TMRG) e das esperas longas, e o estado da preparação pré-operatória de cada utente. Os desvios de bloco ficam com motivo codificado, base para indicadores de acesso e eficiência — para além do que a LIC tradicional mostra.
Um catálogo clínico com 315 elementos descritivos e a gestão dos materiais do bloco — inventário, caixas de artroscopia, concursos carregados tal como publicados — alimentam os protocolos e os pedidos de material associados a cada cirurgia, com rastreabilidade do pedido à utilização.
Volume, técnicas, demoras, ambulatório vs. internamento, resultados — atualizados automaticamente a partir do registo, configuráveis pelo serviço e pela instituição.
O protocolo perioperatório da PTJ, elaborado pela Equipa de Joelho com base em evidência (ERAS 2020, CHEST 2022, ESAIC 2022, DGS 026/2012), está carregado e aprovado na aplicação e ilustra o que a aplicação operacionaliza:
A aplicação é agnóstica à especialidade: os protocolos são configuráveis, pelo que o alargamento a outras equipas cirúrgicas não exige desenvolvimento novo. A aplicação organiza a informação e operacionaliza os protocolos aprovados pelo serviço — a decisão clínica é sempre dos profissionais.
03 · Percurso do utente
O quadro seguinte percorre o percurso típico de um utente cirúrgico (ex.: prótese total do joelho) e mostra, em cada momento, o papel do utente, dos profissionais, do SClínico e das restantes aplicações do hospital. O núcleo da aplicação é a recolha sistemática de PROMs e o registo estruturado núcleo; sobre essa mesma informação, a aplicação operacionaliza os protocolos aprovados do serviço extra. O SClínico mantém-se sempre o registo clínico oficial — a aplicação não o substitui, gera texto estruturado para nele ser colado.
| Momento | Utente | Profissionais | SClínico | Aplicações do hospital |
|---|---|---|---|---|
| 1 · Efetivação da consulta núcleo | Recebe por SMS a ligação ao questionário — genérico ou adaptado ao tema da consulta — e responde no telemóvel, sem palavra-passe. | — | Consulta efetivada na agenda, como hoje. | Envio pela aplicação de SMS institucional (integração a validar com a DTI). |
| 2 · Sala de espera núcleo | Termina o questionário, se ainda não o fez. | O painel do médico mostra o estado de cada utente: presente · a responder · respondido. | — | — |
| 3 · Consulta núcleo | Consulta apoiada na informação que o próprio forneceu. | Registo rápido e estruturado das observações; a decisão é, como sempre, do médico. | A aplicação gera o texto do registo, que o médico cola no SClínico — o registo oficial. | — |
| 4 · Proposta de cirurgia extra | Recebe, impressos a partir do protocolo, a informação sobre a cirurgia e o consentimento informado. | Proposta registada de forma estruturada (ex.: PTJ direita, material NexGen, conforme protocolo). | Proposta e consentimento seguem o circuito oficial. | Requisição do estudo pré-operatório e inscrição na LIC, preparadas segundo o protocolo. |
|
Extra — além dos PROMs No momento da decisão, a aplicação integra o necessário segundo os protocolos aprovados do serviço: requisição do estudo pré-operatório, inscrição na LIC, impressão da informação ao utente e do consentimento informado. Um só registo estruturado, todos os passos do protocolo. |
||||
| 5 · Agendamento extra núcleo | Se a data cirúrgica ficar a mais de 8 semanas do questionário recolhido, recebe automaticamente novo questionário — o resultado pré-operatório fica sempre atual. | O secretariado agenda com a informação estruturada à vista: elegibilidade ambulatória, requisitos do protocolo, prioridade. | — | Agendamento cirúrgico nos sistemas habituais. |
| 6 · Consulta pré-operatória (enfermagem / MFR) extra | Recebe ensino e informação segundo o protocolo do serviço. | Recolha estruturada de enfermagem e MFR, definida no protocolo. | Registo oficial, com texto gerado pela aplicação. | — |
| 7 · Bloco operatório extra | — | Cada interveniente — cirurgião, anestesiologia, enfermagem — vê a informação estruturada do protocolo relevante para o seu contexto. | Registos oficiais do bloco, como hoje. | Sistemas do bloco, como hoje. |
| 8 · Reabilitação extra | Programa de reabilitação claro, com fases e objetivos definidos no protocolo. | Protocolo de reabilitação estruturado, igual para toda a equipa. | Registo oficial das sessões, como hoje. | — |
| 9 · Seguimento e alta núcleo | PROMs pós-operatórios às 2 semanas, 6 semanas, 6 meses e 12 meses. | Registos estruturados nas consultas pós-operatórias; alta para o médico de família com carta estruturada gerada pela aplicação. | Carta de alta e registos no circuito oficial. | — |
núcleo recolha de PROMs e registo estruturado — a razão de ser da aplicação · extra operacionalização dos protocolos aprovados do serviço sobre a mesma informação, sem recolha adicional.
04 · Arquitetura e integrações
A aplicação é contentorizada e agnóstica à infraestrutura: corre integralmente em Docker numa única máquina virtual. A decisão de alojamento — datacenter da ULSM (on-prem) ou serviço gerido pela CPS Concept com DPA — fica em aberto para avaliação conjunta com a DTI, sem alterar a aplicação.
argon2id, sessões JWT de 15 minutos, perfis de acesso (RBAC) por função clínica e filtragem por unidade na camada de dados. Contas criadas apenas por convite, com aprovação prévia — sem auto-registo. Integração futura com diretório institucional (LDAP/AD) é possível.404).AES-256-GCM campo a campo nos dados pessoais e de saúde; pesquisa por índices cegos (HMAC-SHA256) — pesquisar sem expor os dados; chaves fora da base de dados. TLS 1.3 em trânsito.Nenhuma integração é bloqueante para o arranque do piloto — há modo degradado manual para todas. Por ordem de valor:
04 · Proteção de dados
As medidas técnicas descritas abaixo estão implementadas e são verificadas por testes automáticos — não são compromissos futuros. Na adoção institucional, a documentação será formalizada com a ULSM como responsável pelo tratamento, em articulação com a equipa de proteção de dados do hospital.
Encriptação AES-256-GCM campo a campo com pesquisa por índices cegos, TLS 1.3, acessos por perfil e por unidade, isolamento por organização verificado por testes automáticos, contas apenas por convite com aprovação, auditoria imutável de 10 anos sem dados pessoais, backups cifrados testados mensalmente.
AIPD/DPIA e ROPA elaboradas; procedimentos de incidentes (notificação CNPD 72 h) e de direitos dos titulares (30 dias) formalizados; formação RGPD obrigatória da equipa antes do acesso.
O SClínico mantém-se como registo primário, com cópia em texto de cada registo relevante. Exportação completa em formato aberto garantida — o hospital nunca fica refém da aplicação.
04 · Saída de dados
Resposta direta: nesta fase inicial, a comunicação para fora da instituição limita-se a dois casos, ambos desenhados para expor o mínimo indispensável — e ambos com os limites impostos tecnicamente, não por regulamento interno.
05 · Transparência
O proponente, Dr. João Pedro Campos, é simultaneamente médico da Equipa de Joelho do HPH e sócio-gerente da CPS Concept LDA, que desenvolve o UBNIC. Este facto é declarado desde o início e determina o desenho do processo:
05 · Equipa