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Proposta de integração institucional · Hospital Pedro Hispano — ULS Matosinhos

Medir os resultados da cirurgia do joelho, com uma ferramenta do hospital

O UBNIC é um sistema de informação clínica para registo estruturado, seguimento longitudinal e medição de resultados reportados pelos utentes (PROMs), desenvolvido pela CPS Concept LDA. A Equipa de Joelho do Serviço de Ortopedia propõe a sua adoção institucional — para aplicar os seus protocolos, avaliar os seus procedimentos e produzir investigação clínica — começando por uma fase-piloto na própria equipa.

01 · Porquê

O que ganham os utentes, os profissionais e a instituição

Hoje, os resultados funcionais dos utentes operados ao joelho não são medidos de forma sistemática — nem no HPH, nem na maioria dos hospitais portugueses. O UBNIC fecha esse ciclo: regista de forma estruturada, segue o utente ao longo do tempo e devolve evidência — ao utente, à equipa e à instituição.

Para os utentes

  • PROMs sistemáticos (ex.: Oxford Knee Score) antes e depois da cirurgia — o resultado é medido, não presumido
  • Questionário recebido por SMS/email do hospital, ligado à consulta agendada — sem esforço adicional
  • A evolução dos resultados fica visível ao médico entre consultas — informação objetiva para o seguimento
  • Todos os utentes da consulta beneficiam — sem viés de seleção

Para os profissionais

  • Registo estruturado e rápido na consulta — menos texto livre repetido, mais dados comparáveis
  • Relatórios gerados automaticamente a partir do registo, colados no SClínico
  • Evidência objetiva do trabalho da equipa: volume, técnicas, resultados
  • Melhoria contínua da prática assente em dados próprios

Para a instituição

  • Resultados mensuráveis da cirurgia do joelho no HPH — benchmarking interno e externo
  • Base para investigação clínica e publicações com afiliação ULS Matosinhos
  • Medição de resultados por rotina — alinhamento com o padrão internacional emergente (value-based healthcare)
  • Modelo replicável a outras equipas e serviços
Detalhe — o que é (e não é) o UBNIC
  • É um sistema de informação clínica (CIS) para gestão longitudinal, registo estruturado e análise de PROMs em utentes de cirurgia do joelho.
  • Não é um dispositivo médico (SaMD): não faz diagnóstico, não recomenda tratamento, não calcula risco clínico. A decisão clínica permanece exclusivamente no médico.
  • Não substitui o SClínico: o registo clínico institucional mantém-se como fonte primária; cada registo relevante no UBNIC gera um relatório em texto colado no SClínico.
  • Volume previsto: ~50–200 utentes no 1.º ano da Equipa de Joelho; ~1 000 utentes num horizonte de 3 anos.

01 · Porquê agora

Porque começar agora, e não mais tarde

A medição sistemática de resultados é a direção explícita da regulação europeia de dados de saúde, dos indicadores internacionais e da evolução dos modelos de financiamento. Sete razões diretas:

1 · O custo de esperar não se recupera

Um utente operado hoje sem PROM pré-operatório nunca mais terá esse valor de partida — dados retrospetivos não reconstroem o que não foi recolhido. Cada ano de espera é uma coorte anual completa de utentes perdida para a avaliação de resultados e para a ciência.

2 · Financiamento caminha para resultados

A contratualização em saúde evolui para modelos que pagam resultados, não apenas atividade (value-based healthcare). Uma instituição que mede resultados por rotina chega a essa negociação com dados próprios — não com estimativas.

3 · Registo Português de Artroplastias como subproduto

A participação no RPA (SPOT) exige hoje submissão dedicada por cirurgia. Com implantes e materiais registados de forma estruturada em cada intervenção, o contributo para o registo nacional passa a ser um subproduto do registo clínico — sem duplicação de registo.

4 · Recrutamento e formação de internos

Um serviço que mede resultados, publica e oferece coortes completas para teses e trabalhos finais torna-se mais atrativo na escolha de idoneidade formativa — e dá aos internos atuais um terreno real de investigação clínica.

5 · Visibilidade financeira do bloco

Materiais e implantes rastreados por cirurgia tornam visível o custo real de cada procedimento — informação hoje dispersa entre concursos, consumos de bloco e registos manuais — e sustentam decisões de compras e a negociação com fornecedores.

6 · A alternativa é o shadow IT

Sem ferramenta institucional, a necessidade de medir não desaparece — migra para folhas de Excel e formulários pessoais, fora do controlo da DTI e sem garantias de conformidade com o RGPD. O UBNIC oferece o canal institucional: auditado, encriptado e sob controlo do hospital.

7 · Ambulatorização com segurança documentada

A cirurgia protésica em ambulatório é uma tendência consolidada internacionalmente. Critérios de elegibilidade registados de forma sistemática e PROMs seriados documentam, utente a utente, a segurança do programa de ambulatório.

01 · Porquê agora — em detalhe

Ciência e regulação

A investigação que passa a ser possível e o enquadramento regulatório europeu:

Produção científica

A recolha estruturada e completa — PROMs seriados em todos os utentes, registos por protocolo, implantes e materiais rastreados — cria coortes prospetivas sem dados em falta — ao contrário das séries retrospetivas habituais, limitadas por registos incompletos e sem valores de partida.

  • Publicações com afiliação ULS Matosinhos, assentes em dados de qualidade verificável
  • Teses e trabalhos finais de internos assentes em coortes completas
  • Instrumentos alinhados com referências internacionais (conjunto padrão ICHOM para artrose da anca e do joelho: Oxford Knee Score, KOOS, EQ-5D) — comparabilidade com registos e literatura
  • Base para colaborações multicêntricas com serviços que meçam com os mesmos instrumentos

O registo estruturado garante que, quando a pergunta científica surgir, os dados existem, completos e desde o início.

Enquadramento regulatório europeu

Não existe, à data, legislação europeia que obrigue ao registo de PROMs. O quadro relevante é o Regulamento (UE) 2025/327 — o Espaço Europeu de Dados de Saúde (EHDS), em vigor desde março de 2025 — obriga, de forma faseada até 2029–2031, a que os dados de saúde sejam estruturados, interoperáveis e disponibilizáveis, incluindo para uso secundário (investigação e políticas de saúde) os dados de registos médicos e de questionários de saúde que as instituições detenham.

  • Noutros sistemas europeus a recolha já é obrigatória para esta cirurgia: em Inglaterra, os PROMs em artroplastia da anca e do joelho são obrigatórios desde 2009 (NHS England), com os mesmos instrumentos que a UBNIC usa — Oxford Knee Score e EQ-5D; e desde 2024 o registo de resultados de dispositivos implantáveis de alto risco, próteses incluídas, é obrigatório em todo o SNS inglês
  • A OCDE já compara sistemas de saúde por resultados reportados pelos utentes: no primeiro relatório PaRIS (2025, lançado em Lisboa), Portugal ficou abaixo da média em mais de metade dos indicadores
  • Portugal prepara a infraestrutura nacional de uso secundário do EHDS (HealthData@PT, SPMS)

Em Portugal, recolher PROMs de forma estruturada não é, à data, uma obrigação legal — mas já o é noutros sistemas europeus para esta cirurgia, e o quadro europeu converge na mesma direção. Ao começar agora, a ULSM antecipa-a: os dados ficam desde já no formato que passará a ser exigido entre 2029 e 2031.

Fontes — regulamento, artigos e datas de aplicação
  • Regulamento (UE) 2025/327 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 11-02-2025, relativo ao Espaço Europeu de Dados de Saúde (EHDS) — JO L, 05-03-2025; entrada em vigor a 26-03-2025; aplicação geral a partir de 26-03-2027 (Art. 105.º).
  • Art. 14.º/1 e Anexo I — categorias prioritárias de dados para uso primário: resumos de saúde do utente, prescrições e dispensas eletrónicas (obrigações aplicáveis a partir de 26-03-2029); estudos de imagiologia e relatórios, resultados de exames e análises, notas de alta (a partir de 26-03-2031).
  • Capítulo III — requisitos de interoperabilidade e certificação dos sistemas de registo de saúde eletrónico; formato europeu de intercâmbio de registos (Art. 15.º); aplicável aos sistemas em serviço a partir de 26-03-2031.
  • Capítulo IV (uso secundário) — aplicável a partir de 26-03-2029. O Art. 51.º/1 obriga os detentores de dados de saúde (incluindo prestadores de cuidados) a disponibilizar categorias mínimas de dados, entre as quais: dados dos registos de saúde eletrónicos (al. a)), dados de registos médicos (al. l)) e dados de coortes de investigação, questionários e inquéritos de saúde após a primeira publicação de resultados (al. p), aplicável a partir de 26-03-2031).
  • Verificação textual: as expressões «patient-reported outcomes», «outcome measures» e «PROM» não constam do texto do Regulamento — o EHDS não impõe a recolha de PROMs; impõe que o que se recolhe seja estruturado, interoperável e disponibilizável.
  • OCDE — PaRIS (Patient-Reported Indicator Surveys): relatório «Does Healthcare Deliver?», fevereiro de 2025 — primeiro inquérito internacional de resultados e experiências reportados pelos utentes; 19 países participantes, incluindo Portugal; lançamento em Lisboa a 20-02-2025.
  • ICHOMStandard Set para artrose da anca e do joelho: conjunto internacional de medidas de resultado (Oxford Knee Score, KOOS/KOOS-PS, EQ-5D), usado por registos e programas de value-based healthcare.
  • NHS England — National PROMs Programme: recolha pré e pós-operatória obrigatória para artroplastia da anca e do joelho desde abril de 2009 (decisão do Department of Health, 2007); instrumentos Oxford Knee Score e EQ-5D; integrada no NHS Outcomes Framework desde 2011; publicação de dados mantida até ao presente.
  • NHS England — Outcomes and Registries Programme / Medical Device Outcomes Registry (MDOR): registo nacional obrigatório de dispositivos implantáveis de alto risco (Classe IIb/III, incluindo próteses da anca e do joelho), ao abrigo das Outcomes and Registries Directions 2024 (Secretário de Estado da Saúde, março de 2024); submissão com leitura de código de barras obrigatória em todos os trusts desde março de 2024.
  • HealthData@PT (SPMS) — preparação da infraestrutura nacional para o uso secundário de dados de saúde no quadro do EHDS.
  • Registo Português de Artroplastias (RPA) — registo nacional da Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia (SPOT).

02 · Modelo de integração

Uma ferramenta do hospital, com os dados sob controlo do hospital

O UBNIC funciona no mesmo enquadramento dos restantes sistemas de informação do hospital: a ULS Matosinhos é a responsável pelo tratamento dos dados, define as políticas e o alojamento; a CPS Concept LDA fornece e mantém o software, como subcontratante.

Trave-mestraComo funciona
Responsável pelo tratamentoULS Matosinhos — define políticas, alojamento e acessos
Papel da CPS ConceptFornecedor de software e subcontratante, com contrato e DPA (Art. 28.º RGPD)
Base legalPrestação de cuidados de saúde (Art. 9.º/2, al. h) RGPD) — a mesma base do SClínico
Consentimento por utenteNão necessário na integração plena* — sem papel nem atrito
Comunicações com o utenteCanais institucionais do hospital (SMS/email), ligadas à consulta agendada
Registo clínico primárioSClínico, sempre — cada registo relevante no UBNIC gera cópia em texto para o SClínico
AlojamentoDefinido pelo hospital, em avaliação com a DTI — datacenter da ULSM ou serviço gerido
AbrangênciaTodos os utentes da consulta — dados de outcomes sem viés de seleção
Investigação e publicaçõesEstudos pontuais sobre os dados, cada um com parecer da Comissão de Ética — circuito normal
CrescimentoPreparada para alargar a outras especialidades cirúrgicas e a outros hospitais

* Na fase-piloto aplica-se o regime de consentimento descrito na secção 02 — Fase-piloto.

ULS Matosinhos
responsável pelo tratamento · define alojamento e políticas
← contrato + DPA →
CPS Concept LDA
fornecedor de software · manutenção e evolução · subcontratante Art. 28.º
Equipa de Joelho
utilizadores clínicos · registo e seguimento

Os dados são do hospital e dos seus utentes. A CPS Concept fornece e mantém o software, sem autonomia sobre os dados.

02 · Fase-piloto

12–24 meses na Equipa de Joelho, com avaliação objetiva

Um piloto circunscrito aos utentes da Equipa de Joelho do Serviço de Ortopedia, formalizado por protocolo de colaboração entre a ULS Matosinhos e a CPS Concept LDA, com critérios de avaliação definidos à partida e relatório final ao Conselho de Administração.

Âmbito e condições propostas

  • Todos os utentes seguidos pela Equipa de Joelho — consulta, inscrição cirúrgica e seguimento pós-operatório (~50–200 utentes/ano)
  • Duração: 12–24 meses, com avaliação intercalar
  • Sem custos de licenciamento durante o piloto
  • Protocolo com anexo de proteção de dados (papéis, medidas, auditoria)
  • Reversibilidade total: exportação completa dos dados em formato aberto no fim do piloto, qualquer que seja a decisão

Critérios de sucesso (a fixar em conjunto)

  • Taxa de resposta aos PROMs (ex.: alvo > 60–70%)
  • Completude do registo estruturado por consulta
  • Tempo de registo por consulta (não pode aumentar a carga)
  • Satisfação da equipa clínica e dos utentes
  • Zero incidentes de segurança reportáveis
Consentimento durante o piloto: por orientação escrita da equipa de proteção de dados, a fase-piloto enquadra-se como investigação para validação da aplicação (Art. 9.º/2, al. j) RGPD) e o consentimento dos utentes é formalizado em papel; depois de assinado, é arquivado digitalmente na própria aplicação, associado ao registo do utente. Na utilização institucional plena, o tratamento passa a assentar na prestação de cuidados (Art. 9.º/2, al. h)), com dever de informação assegurado pelo médico e pela divulgação institucional.

03 · Plataforma

No mesmo registo, o percurso cirúrgico completo

Para medir PROMs, a aplicação acompanha necessariamente as consultas, a inscrição cirúrgica (LIC) e as cirurgias. Com esses dados no sistema, o mesmo registo sustenta — sem recolha adicional — um conjunto de capacidades de gestão do percurso cirúrgico. Estas capacidades estão construídas e podem ser demonstradas na aplicação atual — não dependem de desenvolvimento futuro.

Protocolos institucionais, versionados e com aprovação formal

Cada protocolo segue um circuito de aprovação — rascunho, revisão, aprovado — em que a versão aprovada é imutável e cada transição fica registada em trilho de auditoria. O protocolo perioperatório da PTJ do serviço serviu de modelo de desenho: 30 fases do percurso, medicação, elegibilidade ambulatória e seguimento.

Gestão da lista de inscritos com mais indicadores

Cada inscrição regista a prioridade clínica e a duração esperada da cirurgia — o que permite um agendamento informado (encaixe por duração sem perder de vista a prioridade), a monitorização dos tempos máximos de resposta garantidos (TMRG) e das esperas longas, e o estado da preparação pré-operatória de cada utente. Os desvios de bloco ficam com motivo codificado, base para indicadores de acesso e eficiência — para além do que a LIC tradicional mostra.

Catálogo clínico e materiais do bloco

Um catálogo clínico com 315 elementos descritivos e a gestão dos materiais do bloco — inventário, caixas de artroscopia, concursos carregados tal como publicados — alimentam os protocolos e os pedidos de material associados a cada cirurgia, com rastreabilidade do pedido à utilização.

Relatórios de atividade parametrizáveis

Volume, técnicas, demoras, ambulatório vs. internamento, resultados — atualizados automaticamente a partir do registo, configuráveis pelo serviço e pela instituição.

Exemplo — protocolo PTJ (prótese total do joelho)

O protocolo perioperatório da PTJ, elaborado pela Equipa de Joelho com base em evidência (ERAS 2020, CHEST 2022, ESAIC 2022, DGS 026/2012), está carregado e aprovado na aplicação e ilustra o que a aplicação operacionaliza:

  • Percurso em 30 fases: do pré-operatório à alta e domicílio, com as ações de cada interveniente — cirurgião, anestesiologia, enfermagem, fisioterapia — e a variante de ambulatório.
  • Dados cirúrgicos e material: implantes standard e de constrição (com critérios de escolha), requisitos pré-operatórios (ex.: HbA1c, função renal) conferidos pelos profissionais na inscrição.
  • Medicação perioperatória: esquemas definidos no protocolo, consultáveis por cada interveniente na fase respetiva do percurso.
  • Consentimento informado estruturado: diagnóstico, procedimento, benefícios, riscos quantificados e alternativas, gerado a partir do protocolo.
  • Elegibilidade ambulatória: critérios sociais e clínicos do protocolo, registados de forma sistemática na consulta de decisão para apoiar a avaliação pelo médico.
  • Seguimento: sinais de alarme, medidas graduadas, programa de fisioterapia e calendário de PROMs pós-operatórios, que alimentam a comunicação com o utente.

A aplicação é agnóstica à especialidade: os protocolos são configuráveis, pelo que o alargamento a outras equipas cirúrgicas não exige desenvolvimento novo. A aplicação organiza a informação e operacionaliza os protocolos aprovados pelo serviço — a decisão clínica é sempre dos profissionais.

03 · Percurso do utente

Da efetivação da consulta à alta — quem faz o quê, e onde

O quadro seguinte percorre o percurso típico de um utente cirúrgico (ex.: prótese total do joelho) e mostra, em cada momento, o papel do utente, dos profissionais, do SClínico e das restantes aplicações do hospital. O núcleo da aplicação é a recolha sistemática de PROMs e o registo estruturado núcleo; sobre essa mesma informação, a aplicação operacionaliza os protocolos aprovados do serviço extra. O SClínico mantém-se sempre o registo clínico oficial — a aplicação não o substitui, gera texto estruturado para nele ser colado.

MomentoUtenteProfissionaisSClínicoAplicações do hospital
1 · Efetivação da consulta núcleo Recebe por SMS a ligação ao questionário — genérico ou adaptado ao tema da consulta — e responde no telemóvel, sem palavra-passe. Consulta efetivada na agenda, como hoje. Envio pela aplicação de SMS institucional (integração a validar com a DTI).
2 · Sala de espera núcleo Termina o questionário, se ainda não o fez. O painel do médico mostra o estado de cada utente: presente · a responder · respondido.
3 · Consulta núcleo Consulta apoiada na informação que o próprio forneceu. Registo rápido e estruturado das observações; a decisão é, como sempre, do médico. A aplicação gera o texto do registo, que o médico cola no SClínico — o registo oficial.
4 · Proposta de cirurgia extra Recebe, impressos a partir do protocolo, a informação sobre a cirurgia e o consentimento informado. Proposta registada de forma estruturada (ex.: PTJ direita, material NexGen, conforme protocolo). Proposta e consentimento seguem o circuito oficial. Requisição do estudo pré-operatório e inscrição na LIC, preparadas segundo o protocolo.
Extra — além dos PROMs
No momento da decisão, a aplicação integra o necessário segundo os protocolos aprovados do serviço: requisição do estudo pré-operatório, inscrição na LIC, impressão da informação ao utente e do consentimento informado. Um só registo estruturado, todos os passos do protocolo.
5 · Agendamento extra núcleo Se a data cirúrgica ficar a mais de 8 semanas do questionário recolhido, recebe automaticamente novo questionário — o resultado pré-operatório fica sempre atual. O secretariado agenda com a informação estruturada à vista: elegibilidade ambulatória, requisitos do protocolo, prioridade. Agendamento cirúrgico nos sistemas habituais.
6 · Consulta pré-operatória (enfermagem / MFR) extra Recebe ensino e informação segundo o protocolo do serviço. Recolha estruturada de enfermagem e MFR, definida no protocolo. Registo oficial, com texto gerado pela aplicação.
7 · Bloco operatório extra Cada interveniente — cirurgião, anestesiologia, enfermagem — vê a informação estruturada do protocolo relevante para o seu contexto. Registos oficiais do bloco, como hoje. Sistemas do bloco, como hoje.
8 · Reabilitação extra Programa de reabilitação claro, com fases e objetivos definidos no protocolo. Protocolo de reabilitação estruturado, igual para toda a equipa. Registo oficial das sessões, como hoje.
9 · Seguimento e alta núcleo PROMs pós-operatórios às 2 semanas, 6 semanas, 6 meses e 12 meses. Registos estruturados nas consultas pós-operatórias; alta para o médico de família com carta estruturada gerada pela aplicação. Carta de alta e registos no circuito oficial.

núcleo recolha de PROMs e registo estruturado — a razão de ser da aplicação · extra operacionalização dos protocolos aprovados do serviço sobre a mesma informação, sem recolha adicional.

04 · Arquitetura e integrações

Preparado para funcionar onde o hospital decidir

A aplicação é contentorizada e agnóstica à infraestrutura: corre integralmente em Docker numa única máquina virtual. A decisão de alojamento — datacenter da ULSM (on-prem) ou serviço gerido pela CPS Concept com DPA — fica em aberto para avaliação conjunta com a DTI, sem alterar a aplicação.

Opção A — On-prem (datacenter ULSM)

  • Dados fisicamente dentro do hospital
  • VM única: 4 vCPU, 8–16 GB RAM, ~100 GB — requisitos modestos
  • Rede interna; sem exposição à internet exceto o acesso dos utentes aos PROMs
  • CPS Concept faz manutenção aplicacional mediante acesso acordado com a DTI

Opção B — Serviço gerido (CPS Concept)

  • Alojamento em Portugal, operado como subcontratante com DPA (Art. 28.º)
  • Sem esforço de infraestrutura para a DTI
  • Encriptação campo a campo — dados ilegíveis mesmo com acesso à máquina
  • Auditoria e backups já implementados e testados
Detalhe técnico — pilha aplicacional
  • Serviços: aplicação web + API, PostgreSQL 16, Redis (filas de tarefas), MinIO (documentos/imagens), geração de documentos — tudo em contentores numa rede interna Docker, sem portas publicadas além do proxy.
  • Autenticação de profissionais: contas nominais com hashing argon2id, sessões JWT de 15 minutos, perfis de acesso (RBAC) por função clínica e filtragem por unidade na camada de dados. Contas criadas apenas por convite, com aprovação prévia — sem auto-registo. Integração futura com diretório institucional (LDAP/AD) é possível.
  • Acesso dos utentes: ligações seguras de uso único (PROMs e portal), sem palavra-passe.
  • Isolamento por organização: imposto na camada de dados em todas as consultas e verificado por testes automáticos — qualquer tentativa de acesso a dados de outra organização responde como se o registo não existisse (404).
  • Auditoria: registo imutável de leituras e escritas (quem, o quê, quando, de onde, e o que mudou — referido por identificadores, nunca por dados pessoais de utentes), retenção 10 anos.
  • Encriptação: AES-256-GCM campo a campo nos dados pessoais e de saúde; pesquisa por índices cegos (HMAC-SHA256) — pesquisar sem expor os dados; chaves fora da base de dados. TLS 1.3 em trânsito.
  • Estado: estas medidas estão implementadas e cobertas por testes automáticos que correm a cada alteração do software.
  • Cópias de segurança: diárias, com cópia offline cifrada e teste de restauro mensal obrigatório. RPO 24 h, RTO 4 h.
Detalhe técnico — integrações a discutir com a DTI

Nenhuma integração é bloqueante para o arranque do piloto — há modo degradado manual para todas. Por ordem de valor:

  • 1 · Envio de PROMs ligado à agenda: o cenário ideal é o utente receber o questionário pelos canais do hospital (SMS/email institucionais), momentos antes ou dias antes da consulta agendada. Requer acesso à agenda (SONHO/SClínico) — por webservice, export periódico, ou, no arranque, marcação manual na aplicação.
  • 2 · Canais de comunicação institucionais: envio de SMS/email através do gateway do hospital, em alternativa a fornecedores externos.
  • 3 · Cópia para o SClínico: cada registo gera um relatório em texto que o médico cola no SClínico — sem integração técnica necessária. Integração futura (ex.: via SPMS) pode automatizar este passo.
  • 4 · Autenticação institucional: integração com o diretório do hospital (LDAP/AD/SSO) para contas de profissionais, em fase posterior.

04 · Proteção de dados

Proteção de dados desde a conceção

As medidas técnicas descritas abaixo estão implementadas e são verificadas por testes automáticos — não são compromissos futuros. Na adoção institucional, a documentação será formalizada com a ULSM como responsável pelo tratamento, em articulação com a equipa de proteção de dados do hospital.

Segurança técnica

Encriptação AES-256-GCM campo a campo com pesquisa por índices cegos, TLS 1.3, acessos por perfil e por unidade, isolamento por organização verificado por testes automáticos, contas apenas por convite com aprovação, auditoria imutável de 10 anos sem dados pessoais, backups cifrados testados mensalmente.

Governança

AIPD/DPIA e ROPA elaboradas; procedimentos de incidentes (notificação CNPD 72 h) e de direitos dos titulares (30 dias) formalizados; formação RGPD obrigatória da equipa antes do acesso.

Nada existe só no UBNIC

O SClínico mantém-se como registo primário, com cópia em texto de cada registo relevante. Exportação completa em formato aberto garantida — o hospital nunca fica refém da aplicação.

04 · Saída de dados

Que dados saem da instituição?

Resposta direta: nesta fase inicial, a comunicação para fora da instituição limita-se a dois casos, ambos desenhados para expor o mínimo indispensável — e ambos com os limites impostos tecnicamente, não por regulamento interno.

a) O utente — a sua área pessoal

  • Acede quando quiser — identifica-se e recebe no seu contacto uma ligação segura de uso único, sem palavra-passe e sem conta permanente; recebe também ligações diretas para responder aos PROMs e para a consulta
  • apenas os seus próprios dados: questionários e informação do seu percurso
  • Nenhum dado de outros utentes é alcançável a partir desta área

b) Delegados comerciais — só agendamentos com o seu material

  • Veem somente: data, hora, número de processo incompleto (pseudonimizado) e o material a preparar
  • Nunca o nome. Nunca dados clínicos.
  • Cada fornecedor vê apenas os agendamentos com o seu próprio material — limite imposto tecnicamente na camada de dados e verificado por testes automáticos
Mais nada sai. A aplicação não recorre a serviços externos: sem CDNs, sem análises de terceiros — tudo é servido pela própria instalação (self-hosted). As cópias de segurança são cifradas. Qualquer alargamento futuro destas comunicações será apresentado previamente à equipa de proteção de dados do hospital.

05 · Transparência

Declaração de interesses e processo de decisão

O proponente, Dr. João Pedro Campos, é simultaneamente médico da Equipa de Joelho do HPH e sócio-gerente da CPS Concept LDA, que desenvolve o UBNIC. Este facto é declarado desde o início e determina o desenho do processo:

  • Declaração de interesses formal apresentada ao Conselho de Administração juntamente com a proposta
  • A avaliação e a decisão de adoção são integralmente do lado do hospital (CA, DTI, equipa de proteção de dados), sem participação do proponente nessa qualidade
  • Piloto sem custos, nas condições e com os critérios de avaliação descritos na secção 02
  • Eventual aquisição posterior segue o procedimento de contratação pública aplicável

05 · Equipa

Equipa de Joelho — Serviço de Ortopedia e Traumatologia, HPH

Dr. João Pedro Campos
Assistente Hospitalar · Proponente
OM 60079
CPS Concept LDA — declaração de interesses
Dr. José Manuel Araújo
Diretor de Serviço · Apoia o projeto
OM 33339
Dr. Carlos Arce
Assistente Hospitalar
OM 37163
Dr. Pedro Mendes Santos
Interno de Formação Específica
OM 68439
Dr. José Miguel Costa
Interno de Formação Específica
OM 71875
CPS Concept LDA
Fornecedor de software · Subcontratante
NIF 516286153
dr.joaopedro.campos@gmail.com